
Esta lista é um breve resumo da minha vida. Tenho 82 anos, 4 filhos, 11 netos, 2 bisnetos e um pequeno quarto de 12 metros quadrados. Já não tenho casa nem as coisas que um dia me foram queridas, mas tenho alguém que limpa meu quarto, cozinha, arruma minha cama, mede minha pressão e me pesa.
De alguma forma, aconteceu que aquilo que antes parecia importante – quartos grandes e aconchegantes, objetos pessoais, cada canto da casa cheio de memórias – aos poucos se tornou desnecessário. Lembro-me de como tinha minhas poltronas favoritas, livros, quadros pendurados nas paredes, mas agora tudo isso se tornou parte do passado. Nem sequer consigo dizer onde essas coisas foram parar. Talvez tenham ido para outras mãos, mas para mim já não existem. Em vez disso, restou apenas este pequeno quarto onde vivo agora, e apenas as fotos nas paredes me lembram de como tudo costumava ser.

Já não ouço as risadas dos meus netos, não vejo como crescem, se beijam, brigam e depois fazem as pazes. Alguém me visita a cada 15 dias, alguém a cada três, quatro meses, e alguém nunca aparece. Tentei me acostumar com essa solidão, aprender a viver sem o barulho e a alegria diários que as crianças e os netos traziam. Mas, apesar de todos os esforços, sinto como esse vazio se torna mais palpável a cada dia. É claro que sei que eles têm suas vidas, suas preocupações. Eles vivem, enfrentam desafios, constroem suas casas e criam seus filhos. Mas, às vezes, gostaria que alguém simplesmente parasse, olhasse para mim, conversasse, perguntasse como estou. Não peço muito, mas às vezes gostaria apenas de ouvir um «como você está?» e sentir que alguém se importa com a maneira como estou vivendo.
Já não cozinho croquetes, ovos recheados, rolinhos de carne e não bordo mais. Às vezes, resolvo sudoku, o que me distrai um pouco. Mas até isso começa a me cansar. Penso em como costumava passar horas na cozinha, preparando pratos favoritos para toda a família. Como eu era feliz quando todos se sentavam à mesa. Nesses momentos, penso em como tantas coisas que parecem importantes acabam perdendo o significado. Às vezes, nos apegamos demais às coisas, aos nossos hábitos diários, mas, na verdade, só têm valor as coisas que estão ligadas às pessoas, às relações, ao que deixamos no coração dos outros.

Não sei quanto tempo ainda me resta, mas preciso me acostumar com essa solidão. Todos os dias, tento fazer algo útil e ajudar aqueles que estão em situação pior do que a minha, mas não quero me apegar muito a eles. Eles frequentemente desaparecem, e eu fico aqui sozinha. Sim, tento ser útil, tanto quanto posso. Se posso ajudar – ajudo. Se posso dizer uma palavra gentil, apoiar, sempre estarei por perto. Mas, por outro lado, não quero me tornar parte de um mundo estranho, onde podem simplesmente me esquecer, me deixar para trás. Já vivi tantas perdas na minha vida que não quero mais perder aqueles que podem estar ao meu lado, mesmo que apenas por um momento.
Dizem que a vida está ficando cada vez mais longa. Para quê? Quando estou sozinha, olho para as fotos da minha família e lembro-me dos momentos felizes, quando minha casa estava cheia de vida, risos e alegria. Lembro-me de como as crianças corriam pela casa, e os netos subiam no meu colo e faziam perguntas. Nesses momentos, gostaria que o tempo voltasse, para sentir novamente aquele conforto e calor que existiam em casa quando estava cheia de pessoas.

A vida foi colorida, cheia de eventos, mas agora sinto como se estivesse desaparecendo. Espero que as futuras gerações entendam como é importante não esquecer seus pais e avós. A família não é apenas aqueles que estão perto, mas também aqueles que já se foram. Precisamos devolver parte do tempo que eles dedicaram para nos criar e nos amar. Tento transmitir esse pensamento aos meus filhos, netos e bisnetos. Espero que, quando crescerem, se lembrem de mim, mesmo que por um instante, nesses momentos em que pensarem em seus próprios entes queridos. Precisamos cuidar uns dos outros, porque isso dá sentido a tudo o que vivemos.
Mas, para mim, já é tarde demais para pensar nisso. Meu tempo passou. Vivo de lembranças, porque não tenho mais com o que preencher o vazio que surgiu. E talvez aí esteja a verdade – não importa quantos anos você viveu, mas quais momentos você deixou no coração daqueles que amou.







