Saí para ir à casa de banho no dia do meu casamento e, quando estava a voltar para o meu lugar, um empregado de mesa agarrou-me de repente pelo braço e disse: «Não bebas do teu copo, a tua sogra colocou algo nele.»

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Saí para ir à casa de banho no dia do meu casamento e, quando estava a voltar para o meu lugar, um empregado de mesa agarrou-me de repente pelo braço e disse: «Não bebas do teu copo, a tua sogra colocou algo nele.»
Decidi trocar os nossos copos e, meia hora depois, aconteceu algo terrível.

O barulho do banquete era um agradável pano de fundo. Música, risos, o tilintar dos pratos, os brindes dos convidados — tudo se misturava num único murmúrio alegre. Eu estava ao lado do meu marido no centro do salão e sentia-me incrivelmente feliz.

Olhei para a mesa principal. Ao lado da minha mãe estava sentada a minha sogra. Ela parecia perfeita: um elegante fato claro, um penteado impecável, um sorriso calmo. Conversava com os convidados e, de vez em quando, levantava a sua taça de champanhe.

Ela percebeu que eu estava a olhar para ela e levantou ligeiramente a taça na minha direção. Eu sorri de volta, embora por dentro sentisse uma tensão familiar.

Naquele momento percebi que precisava de sair por um instante.

— Já volto — disse ao meu marido.

— Sê rápida, daqui a pouco vamos cortar o bolo — respondeu ele.

Atravessei o salão sorrindo para os convidados, entrei rapidamente na casa de banho, arranjei a maquilhagem e, poucos minutos depois, já estava a voltar para a mesa.

Quando me aproximei da nossa mesa, um jovem empregado de mesa parou-me. No casaco dele havia um crachá com a palavra «estagiário».

Ele fingiu que estava a arrumar a mesa e depois disse quase em voz inaudível:

— Por favor… não diga a ninguém… mas não beba do seu copo.

No início nem percebi o que ele tinha dito.

 

— Do meu copo?

Ele assentiu rapidamente.

— Do que está no seu lugar. Por favor.

Depois disso afastou-se imediatamente, como se tivesse medo de que alguém o notasse.

Fiquei parada ao lado da mesa. Diante de mim estava o meu copo de champanhe. Tudo parecia completamente normal: a bebida dourada, as bolhas. Mas as palavras do empregado não saíam da minha cabeça.

«Não bebas do teu copo.»

Sentei-me na cadeira e, durante alguns minutos, limitei-me a olhar para ele. Dentro de mim já crescia uma sensação de inquietação.

Alguns minutos depois saí silenciosamente do salão e encontrei aquele empregado no corredor de serviço. No início ele tentou recusar-se a falar, mas quando ameacei chamar o administrador, mostrou-me uma mensagem no telemóvel.

A mensagem era da minha sogra.

Ela tinha-lhe dado dinheiro e ordenado que colocasse algo no meu copo. Disse que era um «calmante», para que eu ficasse menos nervosa no casamento. O empregado concordou porque teve medo de perder o emprego.

Quando ele terminou de contar, senti tudo dentro de mim gelar. Voltei em silêncio para o salão. Ninguém tinha reparado em nada. A música tocava, os convidados riam, os empregados serviam os pratos.

Aproximei-me da mesa, sorri e discretamente troquei os dois copos — o meu e o da minha sogra.

 

Depois disso peguei «no meu» copo, levantei-me e disse:

— Quero fazer um brinde.

Os convidados ficaram em silêncio. A minha sogra olhava-me atentamente. Um sorriso estranho apareceu no rosto dela. Levantei o copo e dei um pequeno gole.

A minha sogra também levantou o seu copo e bebeu calmamente. Continuava a olhar para mim e a sorrir.

Cerca de meia hora depois do brinde, percebi que algo estava a acontecer com a minha sogra.

Primeiro começou a sorrir de forma estranha. Sentada à mesa, soltava pequenas gargalhadas sozinha, embora ninguém à sua volta estivesse a dizer nada de engraçado. Os convidados trocavam olhares, pensando que ela simplesmente tinha bebido champanhe a mais.

Então, de repente, levantou-se.

— A música… que música linda… — murmurou.

Naquele momento a orquestra nem sequer estava a tocar.

A minha sogra começou a rodopiar lentamente no meio do salão. No início parecia quase uma brincadeira, mas depois de alguns segundos ficou claro que algo estranho estava a acontecer.

Ela ria cada vez mais alto. Agitava os braços como se estivesse a tentar apanhar algo no ar.

— Borboletas… vocês estão a ver? — disse entusiasmada, tentando agarrar algo diante do rosto.

Os convidados começaram a cochichar. Alguns pensaram que ela se tinha sentido mal. Mas não parou por aí.

Aproximou-se de um dos convidados e, de repente, abraçou-o.

— Filho, estás tão engraçado hoje! — disse ela, embora diante dela estivesse uma pessoa completamente diferente.

Depois começou a dançar sozinha, a rodopiar, a rir alto e a agarrar-se às pessoas como se fossem velhos amigos.

Todos olhavam apenas para ela.

E nesse momento foi como se algo me tivesse atingido. Eu entendi tudo.

Ela não tinha colocado um calmante no meu copo — mas sim alucinógenos.
Ela queria que fosse eu quem estivesse agora no meio do salão, a falar com o vazio e a passar vergonha diante de uma centena de convidados.

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