
“Olhe debaixo do seu carro”, disse-me uma menina desconhecida: eu me ajoelhei para olhar, e nunca teria imaginado encontrar algo assim.
Ontem, fui convidado para um jantar na casa do meu chefe. Estacionei meu carro um pouco mais longe da casa dele, porque já não havia vaga na calçada.
Após o jantar, ao sair, vi uma menina perto do meu carro. Ela devia ter cerca de oito anos, estava ajoelhada perto do pneu e parecia preocupada.
Aproximei-me devagar, para não a assustar. Pensei que ela estivesse se escondendo de alguém.
— “Oi, minha pequena, como você se chama?” perguntei.
Ela olhou para mim com olhos grandes e respondeu:
— “Oi, senhor, eu me chamo Emily.”
— “Você tem um nome muito bonito. Está se escondendo de alguém?” perguntei.
— “Não, senhor.”

— “Então, posso ir embora com meu carro?”
— “Não, não, senhor, você não pode ir. Olhe o que está debaixo do seu carro.”
Ajoelhei-me para olhar, pensando que sua bola ou outro brinquedo estivesse preso debaixo do carro. Mas nunca teria imaginado o que ia encontrar. Fiquei muito grato por ela ter me avisado.
Ao me inclinar debaixo do carro, vi pedaços de ferro pontiagudos e outros objetos metálicos, colocados sob os pneus.
Emily explicou que aquilo vinha do velho vizinho, o senhor Dupont.
Ele era conhecido no bairro por seu mau humor.

Sempre que alguém estacionava em frente à sua casa, ele agia assim, colocando objetos cortantes sob os veículos, esperando danificá-los.
Ele odiava que os outros estacionassem perto da sua entrada.
Emily disse que havia notado os objetos debaixo do meu carro enquanto brincava.
Fiquei surpreso com a atitude desse homem, mas aliviado por Emily ter tomado o tempo de me avisar.







