O príncipe passou três anos à procura da noiva perfeita e, no fim, fez uma escolha que ninguém esperava…

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Durante três anos, o rei repetia todos os dias a mesma coisa ao filho:

— És o futuro governante. O reino precisa de uma rainha. Para de adiar o casamento.

O príncipe apenas abanava a cabeça com calma.

— Não quero casar apenas porque é isso que esperam de mim. Farei isso quando encontrar uma mulher que eu ame de verdade.

O rei suspirava profundamente. Os reinos vizinhos ofereciam as suas princesas, famílias nobres sonhavam em unir-se à coroa, mas o príncipe recusava todas as propostas.

Por fim, decidiu criar a sua própria forma de escolher a futura esposa. Uma vez por ano, as jovens mais bonitas de todo o reino eram convidadas para o palácio. Antes disso, cada uma passava por uma seleção rigorosa: saúde, educação, formação, boas maneiras e capacidade de se adaptar à vida na corte real. Muitas preparavam-se durante meses para aquele único dia.

Mas a verdadeira escolha da noiva não acontecia nesse momento. O príncipe apenas observava. Nunca julgava alguém pela primeira impressão — permitia que as candidatas permanecessem no palácio durante algumas semanas e observava como se comportavam umas com as outras, com os criados e com as pessoas comuns da cidade, quando pensavam que ninguém estava a vê-las.

Assim passaram-se três anos. Centenas de jovens passaram pelo palácio, mas nenhuma conseguiu despertar nele a certeza de que poderia ser a futura rainha.

Em todo o reino começaram a brincar dizendo que o futuro rei nunca se casaria.

Chegou mais um ano de seleções. Novamente, dezenas de mulheres bonitas reuniram-se no palácio, vestidas com roupas luxuosas. Conversavam entre si com sorrisos, tentando parecer que não estavam nervosas.

As portas abriram-se e uma jovem mulher de corpo mais cheio entrou na sala usando um vestido simples, mas bem cuidado. Ela destacava-se claramente das outras — não tinha a silhueta elegante que a corte costumava admirar.

Algumas candidatas trocaram olhares cúmplices.

— Será que ela veio mesmo para o lugar certo?

— Provavelmente confundiu o palácio com o mercado.

— Ela realmente acha que o príncipe sequer vai olhar para ela?

Um riso discreto espalhou-se pela sala. Até alguns membros da corte tiveram dificuldade em esconder os sorrisos.

A mulher ouviu tudo, mas continuou a caminhar sem levantar os olhos e ocupou o seu lugar na fila, tal como as outras.

O responsável pela organização já estava prestes a eliminá-la da lista — de acordo com o protocolo, apenas pessoas que cumpriam determinados padrões de beleza eram escolhidas — mas, inesperadamente, o príncipe levantou a mão.

— Não. Deixem-na ficar, como todas as outras.

A sala ficou em silêncio.

Durante as semanas seguintes, a vida no palácio seguiu o seu ritmo habitual: as jovens passeavam pelos jardins, participavam em receções, ajudavam na cozinha e no posto de cuidados do palácio. Essa tradição tinha sido criada pelo avô do príncipe para observar como as candidatas tratavam aqueles que estavam abaixo delas na hierarquia.

O príncipe raramente aparecia pessoalmente. No entanto, sabia sempre o que acontecia dentro do palácio.

Contaram-lhe que algumas jovens zombavam daquela mulher pelas costas, imitavam a sua forma de andar e cochichavam sobre o seu vestido. Uma delas chegou até a derramar “acidentalmente” o conteúdo de uma bandeja sobre ela, apenas para a humilhar diante das outras.

A mulher — que se chamava Isabel — nunca respondeu com falta de educação. Ajudava na cozinha por mais tempo do que lhe era exigido, cuidava de uma criada doente que outras candidatas nem sequer tinham reparado que existia e, certo dia, ofereceu o seu casaco quente a uma menina pobre que estava junto ao portão do palácio, sem saber que o próprio príncipe a observava, pois tinha saído para a cidade sem a sua comitiva.

Naquele momento, ele não revelou a sua identidade. Apenas ficou a observar de longe enquanto ela se ajoelhava junto da criança, cobria-a com o casaco e ia embora sem olhar para trás, sem esperar qualquer agradecimento.

No dia da grande final, quando seria anunciado quem permaneceria no palácio e quem voltaria para casa, a sala estava novamente cheia de jovens vestidas com elegância. Isabel foi colocada no último lugar da lista — o responsável pela seleção considerava aquilo apenas uma formalidade.

O príncipe aproximou-se das candidatas e não parou diante da primeira mulher da fila, considerada a mais bonita. Caminhou diretamente até ela.

— Como te chamas? — perguntou, embora já soubesse a resposta.

— Isabel, Vossa Alteza.

— Porque durante todo este tempo nunca respondeste àquelas que riram de ti?

A sala ficou completamente silenciosa. Algumas jovens ficaram pálidas ao perceberem que os seus comentários tinham sido ouvidos.

Isabel ficou em silêncio por alguns instantes.

— Porque estou cansada de viver como se tivesse de provar algo a todos. Se hoje me recusassem, nada de terrível aconteceria. Mas se eu nem sequer tentasse continuar a ser eu mesma, arrepender-me-ia disso pelo resto da vida.

O príncipe olhou-a nos olhos durante alguns segundos e depois sorriu.

— Durante três anos, não procurei a mulher mais bonita do reino. Procurei aquela que continuaria a ser bondosa mesmo quando acreditasse que ninguém estava a reparar.

 

Um murmúrio de surpresa percorreu a sala.

— Eu vi quando deste o teu casaco à criança junto ao portão. Vi quando ficaste ao lado da criada doente enquanto os outros passavam por ela sem se importar. Tu não sabias que alguém te observava e, mesmo assim, comportaste-te da mesma forma tanto diante de testemunhas como quando estavas sozinha.

Depois virou-se para o pai.

— É exatamente uma mulher assim que procurei durante todo este tempo.

O rei levantou-se lentamente do trono, observou Isabel atentamente durante alguns segundos e depois sorriu.

— Agora entendo por que demoraste tanto tempo a escolher alguém.

Alguns meses depois, realizou-se o casamento no palácio.

No início, muitos habitantes do reino ficaram surpreendidos com a escolha do príncipe, mas rapidamente tudo mudou. A nova princesa criou escolas gratuitas para crianças pobres, ajudou famílias numerosas, apoiou orfanatos e nunca julgou ninguém pela aparência ou pela origem.

E as damas da corte que um dia tinham rido dela na sala do trono lembraram-se daquele momento durante muitos anos — como uma lição que aprenderam tarde demais.

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