
Martin tinha a certeza de que, naquela noite, todos o admirariam.
No dia anterior, ele tinha sido elogiado no trabalho por entregar um relatório dentro do prazo e, desde então, parecia ter crescido meio metro. Andava pela casa com ares de rei do mundo, falava em tom autoritário e irritava-se se o jantar atrasasse nem que fosse por alguns minutos.
— Sophie, as camisas precisam ser passadas com mais cuidado. Agora tenho outro status — dizia, em tom de repreensão.
Eu sorria. Não faz sentido discutir com alguém embriagado pela própria importância. É melhor agir.
Principalmente porque eu tinha um motivo.
Um mês antes tinha sido o meu aniversário. Martin esqueceu-se. Foi com a mãe, Klara, escolher cortinas. Sem flores. Sem presente. Nem sequer um simples “parabéns”.
— Mas você não fez uma grande festa — deu de ombros. — Então para que dar os parabéns?
Naquele momento, não disse nada. Mas tirei as minhas conclusões.
O quadragésimo terceiro aniversário dele comemorámos em casa. À mesa estavam a família, amigos e colegas de trabalho. Martin sentava-se à cabeceira, enquanto Klara avaliava a comida com olhar crítico.
— A carne está um pouco dura — observou. — O Martin anda sob stress, está a construir uma reputação séria.

Martin bateu com o talher no copo:
— Sophie, traz outro molho. E onde estão as azeitonas?
Eu sorria. Tudo estava a correr conforme o plano.
Quando chegou a hora dos presentes, ele já irradiava satisfação. Envelopes, caixas, felicitações. E, finalmente — o meu presente. Uma caixa grande e elegante com um laço.
— Devem ser aqueles relógios de que falei — disse, satisfeito. — Dá cá.
— Primeiro diz algumas palavras aos convidados — pedi calmamente. — Já que hoje estás no centro das atenções.
Ele levantou-se, ajeitou o casaco e começou a falar.
— Amigos, vocês sabem o caminho que percorri. Tudo o que tenho hoje é fruto do meu trabalho e da minha disciplina. No trabalho sou valorizado, a direção confia-me projetos importantes. Alcanço sempre os objetivos. Estou habituado a ser líder — em casa e na profissão.
Os convidados trocaram olhares.
— Trabalho muito, sustento a família, tomo decisões. E acredito que mereço respeito.
Sentou-se com um ar satisfeito.
— Belo discurso — acenei com a cabeça. — Abre.
Ele levantou a tampa.

Lá dentro estava uma nova furadeira profissional e o recibo da loja de materiais de construção.
— O que é isto?! — empalideceu.
— Um presente, querido. Você mesmo disse que era preciso pendurar as prateleiras da sua mãe. Sou uma esposa atenta. Cuido da família.
À mesa instalou-se o silêncio.
— Você está a humilhar-me! — explodiu.
— Não — respondi com calma. — Estou apenas a devolver o respeito onde ele já faltava há muito tempo.
Há um mês, você mostrou que os meus sentimentos não significavam nada. Hoje eu mostrei que isso não vai mais acontecer.
E, já agora — o apartamento é meu. Quando os convidados forem embora, pode arrumar as suas coisas. Não se esqueça da furadeira. Tem garantia.
Ninguém o apoiou. Nem amigos, nem colegas de trabalho. A sua importância estourou como um balão.
Uma hora depois, os convidados foram-se embora. Quarenta minutos mais tarde, ele saiu com a mãe.
E no apartamento fez-se silêncio — e leveza.
E digo a todas as mulheres: não se acostumem à falta de respeito. Se alguém pisa nos seus sentimentos, fará isso outra vez e outra vez.
Às vezes, o melhor presente que se pode dar a um homem é o limite que finalmente você decide impor.







