
Os anos passaram e eu me senti como se estivesse perdida neste mundo. Meus filhos sempre me trataram como uma estranha.
Quando me divorciei de Péter, foi o golpe final no nosso relacionamento. Eles escolheram ficar com ele porque era um homem influente, um respeitado diretor de uma grande empresa.
Sinceramente, com ele era mais conveniente. E eu? Fiquei sozinha — uma esposa abandonada pelo marido, uma mãe esquecida pelos filhos.
Logo, meus filhos se afastaram de mim e eu só sabia deles através de conhecidos. Eles viajavam com o pai e a jovem esposa dele. Faziam viagens, aproveitavam a vida, jantavam em restaurantes caros, faziam planos para o futuro.
E eu fiquei em um apartamento vazio. Cada notícia sobre eles me doía como um caco de vidro.

Um dia, percebi que precisava viver para mim mesma. Fui trabalhar no exterior. Pela primeira vez em muito tempo, me senti livre.
Quando meu trabalho terminou, voltei para casa, reformei meu apartamento, comprei móveis novos e eletrodomésticos, e guardei algum dinheiro para a velhice.
Enquanto isso, meus filhos formaram suas próprias famílias. Ouvi dizer que estavam bem: casamentos, filhos, celebrações. Então, de repente, chegou a notícia de que Péter havia morrido de ataque cardíaco. Ele deixou toda a herança para a esposa jovem.
Meus filhos ficaram sem herança. E essa raiva logo se transformou em memórias «carinhosas» sobre mim.
No começo, começaram a me visitar frequentemente, trazendo pequenos presentes. Trouxeram doces, frutas, perguntaram como eu estava. Eu os recebia com um sorriso, mas no fundo sabia que cada um deles tinha um objetivo oculto.

Agora tenho 72 anos. Estou saudável, cheia de energia e satisfeita com minha vida. Mas recentemente, minha filha, Elizabet, começou a insinuar que era hora de pensar no futuro, no testamento.
Algumas semanas depois, minha outra filha, Klara, que se casou há apenas um ano, veio me visitar.
«Vovó, não é chato ficar sozinha?» — perguntou com interesse sincero.
«Não, aqui é muito confortável» — respondi.
«Mas este apartamento é tão grande» — continuou. «Deve ser difícil de limpar. Talvez eu e meu marido pudéssemos nos mudar para cá? Assim seria mais animado, e também não precisaríamos pagar aluguel.»
Eu ri. Suas intenções eram óbvias.

«Quem disse que vocês não precisariam pagar?» — respondi calmamente. «Vou dar um grande desconto para vocês.»
Klara ficou chocada. Provavelmente esperava que eu abrisse a porta e dissesse: «Levem tudo, para mim tanto faz.» Mas eu tinha outros planos.
Alguns anos atrás, fiz um testamento dizendo que meu apartamento seria vendido após minha morte, e o dinheiro seria doado a uma fundação que ajuda crianças doentes.
Quando minha filha descobriu isso, ficou furiosa. Me ligou gritando que eu era injusta, que estava privando meus netos de um futuro seguro. Depois, meu filho, James, veio e educadamente sugeriu que estava pronto para cuidar de mim. Mas o «amor» deles não me convenceu.
Meu coração se tornou de pedra.







