Eu pensei que, assim que meu filho e minha nora comprassem um apartamento, todos os problemas ficariam para trás. Eles se mudariam – e seriam felizes. Mas, na realidade, tudo acabou sendo muito mais complicado.

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Eu até dei dinheiro para que meu filho e sua esposa pudessem comprar um apartamento – um décimo do preço. Permiti que morassem comigo para que fosse mais fácil lidarem com o empréstimo hipotecário. Alugaram a casa, entregaram as chaves. Mudança? Não! Ela disse: “Quero que tudo no novo apartamento seja novo!”

Prometeram economizar, prometeram que logo se mudariam, mas já se passaram dois anos e ainda não conseguem fazer as malas.

Tudo novo! Absolutamente tudo. E as minhas coisas não servem: a cama que comprei para eles já não presta. O armário – velho, nem de graça querem. “Meu marido vai me comprar tudo novo! Inclusive uma cama com colchão ortopédico!” E compra. Continua comprando.

 

Os eletrodomésticos foram comprados com a ajuda da família. Claro, quando se trata de geladeira, máquina de lavar, televisão, micro-ondas, lava-louças – tudo é do mais caro. Não foi suficiente. Pegaram um empréstimo. Além disso, ainda têm a hipoteca.

Os eletrodomésticos estão nas caixas, e o apartamento vazio. Já faz dois anos. E o empréstimo precisa ser pago.

Economizar? Nem pensar. Três da manhã e tocam o interfone – comida sendo entregue. Viajam de férias. Ela faz manicure, pinta o cabelo. Mas ajudar com a comida? Não! “Logo vamos nos mudar, não vamos comer muito!”

Fizeram reforma. Ela não gostou do acabamento padrão da construtora. Meu filho quase um ano sem falar comigo: do trabalho – direto para o apartamento, pintava, colocava papel de parede, fazia instalações. Do apartamento – direto para o trabalho, para pagar tudo isso.

 

Ela diz que a culpa é minha, que não ensinei meu filho a ganhar dinheiro. Ele tem medalha de ouro, diploma de honra, um bom emprego e, aos trinta anos, ganha três vezes mais do que a média da região. Não ensinei?

Mas para ela – o que quer que eu dê, nunca é suficiente. Lembro como ela ficou feliz com a cama que comprei para eles e como pintava as unhas na cozinha. Quanto maior a renda, maior o apetite.

Antes era diferente: ajudava, descascava batatas, lavava o chão. Mas assim que pegaram as chaves – pronto, “aqui é temporário, só vamos limpar nossa casa!”

Meu filho foi proibido de me ajudar com as contas. Economia! Mas ele, em segredo, me dá dinheiro, pede desculpas, desvia o olhar e pede para eu esperar. Duvido que consigam pagar tanto o aluguel quanto o apartamento próprio.

 

Eles não querem mudar de estilo de vida. Viver sem móveis ou comprar algo barato – ela torce o nariz. Não compraram nada. Tudo está no crédito e na hipoteca. Para o novo colchão, não sobrou dinheiro.

Eu aguento. Seis anos na minha casa. No limite. Eu disse: “Vou esperar mais um pouco, mas vocês precisam se mudar!” Dois anos e o apartamento ainda vazio. Fiz o que pude. Mas não posso mais.

Ela começou a chorar e gritar. Diz que estou jogando meu filho na rua, que perdi a compaixão. Mas como ter compaixão, se me sugaram até a última gota? Liga para todo mundo, se lamenta.

Talvez vocês não acreditem em mim. Digam que sou ruim. Que a culpa é minha, por ter permitido. Talvez digam que sou uma mãe má. Mas eu não aguento mais, e tudo tem limite. Nem lembro a última vez que comprei algo para mim. Conto os dias até finalmente ter paz.

Estendi a mão para ajudar, e eles levaram tudo e ainda pedem mais…

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