
Alguns presentes fazem as pessoas felizes, mas há também aqueles que despertam raiva. Por exemplo, o presente de Natal do meu marido, Murphy. O rosto dele quando abriu seu presente se tornou o meu verdadeiro presente de Natal, e eu passei o ano todo planejando a vingança perfeita. Receber um presente que me deixou ao mesmo tempo petrificada de medo e com o estômago apertado? Não estou falando de roupas antiquadas ou coisas desnecessárias, mas de um presente que faz você se perguntar se aquela pessoa realmente sabe quem você é. E ainda pior — se ela realmente se importa com você.
Sempre vivemos modestamente com Murphy. Ele trabalhava na metalúrgica, muitas vezes ficando até tarde, com as costas doloridas e as mãos cobertas de cicatrizes. Ele se orgulhava de poder sustentar nossa família, cheirando a óleo de máquina e aparas de metal. Eu trabalhava como babá para as crianças dos vizinhos, para poder pagar as contas e alimentar os filhos. No geral, mal conseguíamos chegar ao final do mês, e não havia espaço para luxos. Decidimos que economizaríamos para comprar presentes apenas para nossos pais e filhas, e não nos daríamos presentes.
Mas neste Natal, Murphy decidiu mudar as regras.

— Ei, Suzanne, tenho um presente para você! — sua voz soou dez dias antes do Natal. Eu estava sentada verificando as tarefas de matemática do pequeno Tommy, que não conseguia entender divisão, e fui até a sala, ouvindo sua alegria. À minha frente, havia uma enorme caixa, embrulhada com um papel brilhante que parecia ter custado uma fortuna. E ele estava lá, sorrindo como uma criança que encontrou biscoitos no armário.
— O que é isso? — perguntei, sentindo meu coração bater forte. Para alguém que geralmente achava que papel de jornal e fita adesiva eram suficientes para embrulhar presentes, a caixa era enorme, quase até o quadril.
— É um presente para você neste Natal! Decidi fazer algo especial este ano, algo significativo, embora normalmente não gastemos dinheiro com presentes — disse ele, orgulhoso de sua decisão.
— Murphy, não temos dinheiro para isso…
— Suzanne, espere até o Natal! Você vai adorar! Nunca ganhou algo assim, prometo!
Comecei a fazer suposições. Será que ele conseguiu economizar para algo que eu sonhava? Talvez ele tenha comprado lençóis de seda que eu admirei na vitrine, ou tenha trocado a TV quebrada? Às vezes, eu pegava o olhar dele, quando ele olhava satisfeito para o presente, como se tivesse resolvido todos os nossos problemas.

No Natal, todos nos reunimos na sala. Os pais de Murphy se sentaram no nosso velho sofá, enquanto nossas filhas estavam deitadas no chão, perto da árvore de Natal. A casa inteira estava perfumada com canela, pinheiro e biscoitos recém-assados. Murphy acenou para mim com impaciência, enquanto eu me aproximava com o presente.
— Vai, abre logo, Syu! Você esperou por isso o ano todo! — ele disse com um sorriso cheio de expectativa.
Desembrulhei com cuidado, as mãos levemente tremendo de excitação. Quando abri a caixa, congelei. Dentro estava um aspirador de pó — o mesmo que se usa na garagem, com uma etiqueta brilhante anunciando suas “incríveis funções” de remover aparas de metal e poeira.
— Um aspirador de pó? — eu estava em choque. — Isso é seu presente de Natal?
— É o melhor aspirador! Já testei na garagem! Ele é ótimo com aparas de metal e cantos! — disse Murphy, orgulhoso.

Não conseguia acreditar. Ele comprou um aspirador de pó para ele e embrulhou como se fosse meu presente! Eu estava completamente arrasada e me sentia humilhada. Não conseguia nem lembrar o que Murphy tinha dito sobre presentes práticos. Joguei a caixa e corri para o quarto, onde comecei a chorar.
Essa cena ficou gravada na minha memória para sempre, e naquela noite eu dormi no sofá, revirando em minha cabeça todas as ofensas. Murphy, nesse meio tempo, reclamava para seus pais que eu era “egoísta demais”. Através das finas paredes, ouvi o pai dele, Frank, me repreendendo, enquanto a mãe, Eleanor, tentava acalmá-lo. Mas na minha cabeça, já estava começando a germinar o plano de vingança.
Passei o ano todo me preparando. No próximo Natal, executei minha vingança. Convidei toda a família, incluindo parentes distantes, como tia, tio e primos. Quando chegaram, eu entreguei a Murphy uma enorme caixa embrulhada com quatro camadas de papel higiênico. Era o presente mais “prático” e “necessário”, de acordo com seu gosto.
Quando ele abriu a caixa e encontrou o papel higiênico, seu rosto mudou de surpresa para um semblante de puro pavor.
— O que é isso?! — ele exclamou, olhando para mim surpreso.
Levantei e, sorrindo, disse:

— É um papel higiênico de quatro camadas, de alta qualidade. Porque, como você disse, o Natal não é sobre o que queremos, mas sobre o que precisamos. Achei que isso seria útil tanto em casa quanto na garagem. E, a propósito, comprei em grande quantidade — vai ser ainda mais conveniente.
A família explodiu em risos. Murphy ficou vermelho e seus olhos empalideceram de vergonha. Depois, ficou ainda mais engraçado: todos começaram a rir, e eu sentia que o plano tinha sido perfeito. Até os pais dele não conseguiram se conter e aplaudiram baixinho.
Desde então, Murphy nunca mais ousou dar “presentes práticos”. E eu preparei uma prateleira especial no armário, caso ele decidisse comprar algo “útil” novamente. Às vezes, a vingança não vem quente, ela pode ser servida com um laço e embalagem elegante… ou com quatro camadas de papel higiênico.







