A minha mãe fez anos, mas só me lembrei disso três dias depois e fui ter com ela imediatamente.

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A minha mãe fez anos, mas por causa do trabalho só me lembrei disso três dias depois. Fiquei envergonhado. Liguei-lhe várias vezes, mas ela não atendeu. O telemóvel estava desligado.

Decidi ir pessoalmente ter com ela. Comprei um grande ramo de flores e pus dinheiro num envelope — em vez de um presente. Queria abraçá-la, pedir desculpa, dar-lhe os parabéns…

Mas quando cheguei, não havia ninguém em casa. Bati à porta, toquei à campainha, chamei por ela. O telefone continuava desligado. Na minha cabeça começaram a surgir os piores pensamentos: e se cheguei tarde demais?.. e se nunca mais a vir?

 

Sentei-me nos degraus como uma criança. Sentia-me triste e envergonhado. Que tipo de filho sou eu, se me esqueci do aniversário da minha mãe? Só tenho a ela. Não tenho pai — desde criança, foi a minha mãe que me criou sozinha. Carregou nos ombros mais do que devia. Foi para mim mãe e pai. Foi tudo.

Quando me casei com a mulher que amo, a minha mãe vendeu a sua casa. Comprou um apartamento mais pequeno e deu-nos todas as suas poupanças — para podermos comprar a nossa própria casa. Começámos uma nova vida. E eu fui sendo levado pela corrente. Trabalho, negócios, clientes, contas… E nem me apercebi de que o aniversário dela já tinha passado.

De repente — ouvi uma voz atrás de mim:

— Filho, o que estás aqui a fazer?

 

Virei-me — a minha mãe estava à minha frente com um saco de compras, do qual saía um pão.

— Mãe! Liguei-te… não atendias…

— Ah, o telemóvel caiu-me ontem no poço, levei-o a arranjar… e para que é que preciso disso? — sorriu.

— Mãe, eu… esqueci-me do teu aniversário…

— O mais importante é que estás aqui. Anda. Tenho um bolinho, fazemos um chá.

 

Ela não me repreendeu. Não perguntou porque só me lembrei três dias depois. Simplesmente serviu-me chá, perguntou pela minha mulher, pelo trabalho, pela vida.

Discretamente coloquei o envelope com dinheiro na carteira dela enquanto ela não via.

Quando fui embora, acenava-me da porta. E de repente percebi — tudo o que tenho, está apoiado nos ombros dela.

E prometi a mim mesmo: agora, os ombros dela vão descansar.

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